Talvez graças ao pai, que trabalhava na área ambiental ou talvez pelo elementar compromisso da sociedade em que cresceu para com a Natureza, Alvar Aalto, arquitecto e designer Finlandês, acreditava que o design devia ser humanizado. Rejeitava materiais industriais, como o metal tubular muito usado à sua época (1898-1976), por não terem em conta a condição humana.
Aalto considerava que o design não devia apenas considerar questões funcionais. Devia também atender às necessidades psicológicas do utilizador. Isso conseguia-se através do uso de materiais naturais, em particular da madeira, que descrevia como "material profundamente humano, que inspira a forma".
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| Pormenores de uma estante; bancos nº60, 1933 |
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| Candeeiros A338 Bilberry, 1950; retrato Alvar Aalto |
O vaso Savoy, produzido para a Karkula em meados dos anos 30, e posteriormente editado pela
iittala, inspira-se no litoral escarpado da Finlândia. Os bancos e as cadeiras de empilhar, a moldagem em contraplacado de madeira, a ergonomia e o modernismo vieram a tornar-se algumas das suas imagens de marca. Aalto foi director técnico de uma fábrica de mobiliário e em 1935, fundou, com a sua primeira mulher, a designer Aino Marsio, a
Artek, empresa que ainda hoje é sinónimo de mobiliário e design de qualidade.
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| Casa em Muuratsalo,1953; vasos Savoy, 1936 |
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| A casa de Verão de Aalto, com aproveitamento de materiais que sobraram de outras obras, 1952 |
Na arquitectura, é conhecido por conciliar a clareza formal com o espírito romântico, mas também racionalista, dos escandinavos. Madeira e tijolo marcam os edifícios serenos, aparentemente veneradores do silêncio da floresta.
Siza Vieira, além do Pritzker da Arquitectura, recebeu também o prémio Alvar Aalto. Numa palestra ocorrida na Faculdade de Arquitectura do Porto, onde há muitos anos a obra de Aalto foi motivo de exposição, o nosso Nobel da Arquitectura recordou o momento em que, através de uma revista francesa, descobriu a existência do seu colega finlandês. Ao ver os
dormitórios do edifício do MIT, em Massachusetts, Siza referiu ter ficado "entusiasmadíssimo e maravilhado. Aquilo não parecia arquitectura". O projecto é de 1946 e consegue ser sóbrio e exuberante ao mesmo tempo.
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| Aalto cuidava de tudo, dos puxadores à arquitectura. Casa de campo Mairea, 1938. Fotos via Pinterest |
Publicado por Ana Jorge